
A meningoencefalocele, ou hérnia cerebral, é uma condição rara e grave caracterizada pela herniação do tecido encefálico e da dura-mater para a cavidade do osso temporal, projetando-se através do teto do ouvido médio. Essa patologia pode se desenvolver por diferentes motivos e apresenta sintomas variados, dependendo da extensão e localização da herniação.
Causas Possíveis
A meningoencefalocele geralmente ocorre após procedimentos cirúrgicos na região da mastoide (parte óssea localizada atrás da orelha) – como as cirurgias mastoídeas, realizadas para tratar infecções crônicas ou outras condições do ouvido médio e interno. A manipulação óssea nessa região pode enfraquecer a barreira entre o cérebro e a cavidade do ouvido, aumentando o risco de formação de uma hérnia. Além das causas cirúrgicas, outras possíveis origens incluem traumas cranianos, infecções crônicas que comprometem a integridade óssea ou deformidades congênitas, que podem enfraquecer as barreiras naturais do crânio.
Diagnóstico
O diagnóstico da meningoencefalocele envolve exames de imagem, que permitem a visualização detalhada da área afetada. Os exames mais utilizados são:
Tomografia Computadorizada (TC): fornece imagens precisas das estruturas ósseas, permitindo detectar áreas de fraqueza óssea e confirmar a presença de herniação.
Ressonância Magnética (RM): permite uma visualização mais detalhada dos tecidos moles, como a dura-mater e o tecido encefálico, fornecendo informações cruciais para avaliar a extensão da herniação e planejar o tratamento.
Além dos exames de imagem, o histórico médico do paciente e a presença de sintomas, como alterações auditivas, cefaleia e outros sinais neurológicos, podem orientar o diagnóstico.
Tratamentos Possíveis
O tratamento da meningoencefalocele depende do tamanho da hérnia, dos sintomas apresentados e dos riscos associados à condição. Os tratamentos incluem:
Tratamento Conservador: Em casos assintomáticos ou com sintomas leves, pode-se optar por um monitoramento cuidadoso, com exames periódicos e acompanhamento clínico.
Tratamento Cirúrgico: Indicado quando a hérnia apresenta risco de complicações ou causa sintomas significativos. A cirurgia visa restaurar a integridade da barreira craniana e impedir a progressão da herniação. O procedimento envolve:
Remoção do osso ao redor da hérnia até expor a dura-mater normal.
Enxerto de Fascia e Gordura: insere-se uma fascia (tecido conjuntivo) do músculo temporal e uma camada de gordura entre a dura-mater e o osso, criando uma barreira de proteção adicional.
Sustentação com Cartilagem ou Osso: para garantir a estabilidade do reparo e evitar que o tecido herniado se desloque novamente, utiliza-se cartilagem ou pequenos fragmentos ósseos para manter os enxertos fixos.
A cirurgia visa aliviar sintomas neurológicos, evitar infecções e complicações graves, e melhorar a qualidade de vida do paciente.

